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sexta-feira, 8 de abril de 2011

CANTO DE ALEGRIA E PAZ



Por Pedro Paulo Rosa
Revisão Textual: Paulo Cappelli
Foto: Pedro Paulo Rosa

Hoje é um dia diferente para o Rio de Janeiro. Ninguém consegue esconder a perplexidade diante ao horror da chacina ocorrida em Realengo, onde 13 crianças foram assassinadas na Escola Municipal Tasso da Silveira.

Teresa Cristina, durante o intervalo do show, cede um bate papo ao Hélio. Ela assume estar muito chocada e triste. Conforme afirma, o que a move é a fé, e é por isso que conseguiu subir ao palco para – com o poder da música – conseguir alegrar ao público. Com a casa lotada, Teresa conduz um show fino, delicado e com a sua bela marca autoral. Integrados, os músicos do Grupo Semente correspondem no mesmo nível do brilho da cantora carioca, que foi uma das responsáveis por revitalizar a Lapa.

Reconhecida não só no Brasil, mas também no exterior (cantou na Alemanha, Índia, Holanda, Bulgária e Japão), a marca principal dela é fazer um samba de raiz ligado ao momento atual da música popular brasileira. No bate papo, passamos por suas parcerias musicais, seus antigos trabalhos, a ligação com a mãe (Dona Hilda) e pelo atual DVD, “ Melhor Assim”, no qual gravou com músicos do “quilate” (como ela mesma diz) de Caetano Veloso, Arlindo Cruz, Marisa Monte, Seu Jorge e Lenine.

O Hélio: Que belo show, Teresa!

Teresa Cristina: Está tão difícil cantar hoje (suspiros). Fico pensando em como as crianças vão conseguir voltar lá para estudar. E o que pode passar na cabeça desse cara!?

O.H.: Há diferença entre a Teresa que faz canções e a Teresa que sobe ao palco para entoar canções?

“CANTAR COM CAETANO É CANTAR COM UM ÍDOLO”

Teresa: Acho que são momentos diferentes. O momento de compor, por exemplo, é um outro momento. São duas atividades que amo fazer. Canto na noite há mais de dez anos. A música para mim é muito poderosa. Eu quero muito que ela anime as pessoas, celebre, e que ela consiga trazer algo bom de volta para todos nós.

O.H.: Poderosa em que sentido?
Teresa: A música consegue, com tamanha espontaneidade e beleza, juntar muitas pessoas diferentes num mesmo espaço, cantando a mesma coisa, celebrando junto, é muito bonito.

O.H.: Tem várias parcerias de composição. Como você conheceu o Arlindo Cruz?

Teresa: Conheço o Arlindo faz muito tempo. Certo dia, ele me convidou para cantar com ele no pagode que ele fazia na FM O DIA. Depois, nós nos apresentamos no Teatro Rival e a parceria se fortaleceu. Inclusive, temos uma música bem interessante chamada “Oferendas”.

O.H.: E como é que a música entrou na sua vida?

Teresa: Entrou desde sempre, desde criança. Acho que entrou pela voz da minha mãe. Na minha casa sempre tinha ligado um rádio ou uma vitrola. Sempre! (Risos). Lá em casa, minha mãe cantava muito Roberto Carlos e eu cresci escutando o rádio e a voz dela.

O.H.: E como é que fica o coração cantando hoje ao lado de sua mãe?

Teresa: Ah, mamãe sonhava em ser cantora. Acho que eu realizo o sonho dela quando canto com ela no palco.

O.H.: Como é a receptividade do público estrangeiro diante do samba, da MPB de modo geral?

Teresa: A melhor possível. Eles são muito carinhosos, sentem muito carinho pela cultura brasileira. O nosso país é muito bem visto lá fora, por mais que uns falem que não. Com todos os problemas, a cultura brasileira é muito bem vista. Somos vistos como um povo unido, trabalhador e donos de uma música boa. O Japão, por exemplo, é um país incrível! Só o fato de um japonês falar português, para mim, já é uma prova de amor. Porque a língua deles possui signos linguísticos tão diferentes dos nossos! Já cantei também em Amsterdã, na Índia, na Bulgária, em Moscou e na Alemanha.



Fachada do Centro Cultural Carioca

O.H.: Tem alguma parceria mais marcante?

Teresa: Cada parceria tem uma história. Tenho músicas com João Callado, com Lula Queiroga, com o Arlindo Cruz, dentre outros. Mas cada uma dessas parcerias tem o seu lugar especial na minha vida. Por exemplo, cantar ao lado de Caetano é cantar com um ídolo. Caetano é estrela de quilate maior na música brasileira. Ele foi muito nobre de me convidar para subir ao palco com ele. Caetano nem me conhecia! Isso é muito raro, porque geralmente convidamos amigos, sobrinhos, primos. Fiquei muito surpresa e feliz (risos).

O.H.: O seu novo trabalho, “Melhor Assim”, agrega muitos talentos. Marisa Monte, Caetano Veloso, Lenine, Arlindo Cruz e outros grandes.

Teresa: Pois é, e a minha idéia inicial era que tivesse Caetano, pelo menos, na plateia da gravação do DVD. Mas ele cantou comigo para a gravação também! A Marisa conhece o meu trabalho desde sempre e costuma me deixar muito perto das coisas que ela faz; nós nos conhecemos através da Velha Guarda da Portela.

O.H.: A bela música que vocês cantam, “Beijo Sem” é de composição da Adriana Calcanhotto, como é que é isso?

Teresa: Pois é, a Adriana nos presenteia o tempo todo. Muita gente diz que eu tenho delicadeza para cantar, mas acho que a Adriana tem uma delicadeza genuína. Ela não é nem um pouco pretensiosa. As coisas que ela escolhe para falar nas músicas eu vejo dentro dela.



O.H.: A pirataria lhe incomoda?

Teresa: Não incomoda. Até porque, dificilmente vejo discos meus pirateados na rua. Não é que não tenha, mas quase não vejo. Mas, eu também nunca ganhei um disco de ouro! (Risos)

O.H.: É sua meta conseguir disco de ouro?

Teresa: Pode ser meta da gravadora, minha não! Minha meta é gravar.

O.H.: A inspiração para compor é diária?

Teresa: Não é diária, mas até pode ser. Depende muito. Tem vezes que a música desce de uma vez. Rapidinho. Outras vezes, demora mais.

O.H.: Como nasceu o Grupo Semente?

Teresa: Na época, eu queria juntar músicos que conhecessem a obra do Candeia, e conseguimos firmar esta parceria na finalidade desse show em homenagem ao Candeia. Mas, a parceria acabou ficando até hoje!

O.H.: A parceria com Jussara Silveira e Rita Ribeiro no CD “As três meninas do Brasil” foi uma parceria sua que também deu muito certo. Pensam em repetir?

Teresa: Foi um trabalho muito interessante de fazer, muito legal. Sim, se tivermos a oportunidade de repetir, com certeza. Lançamos este CD pelo selo da Biscoito Fino.

O.H.: Algum novo trabalho em mente após o “Melhor Assim”?

Teresa: Quero lançar CD este ano, mas não sei se vai dar por conta da correria. Estou ensaiando com o grupo “Os Outros”, um pessoal que só canta músicas do Roberto Carlos.

O.H.: Qual seu próximo show depois de hoje?

Teresa: Na sexta (08/04) estamos no “Carioca da Gema” e sábado no Complexo do Salgueiro com o pessoal da CUFA.

O.H.: Você é uma mulher muito religiosa? Como é Deus para a Teresa Cristina?

Teresa: Eu gosto quando a música me ajuda a propagar a religião. A fé. Música é juntar muita gente diferente num mesmo lugar. Como a devoção também faz. Sou umbandista, e me considero muito religiosa. Sou 100% fé. A fé que me põe para frente. Que me faz cantar hoje.

Teresa agrega, harmoniza com seu olhar compassivo e de sabedoria. Abençoa a todos nós com sua voz.


Agradecimentos:

Centro Cultural Carioca (Isnard Manso)
Rick Werneck

5 comentários:

  1. Mestre Pedro,

    acabei por finalizar a leitura de "O Hélio" e devo admitir: pouquíssimas obras conseguem me prender ao livro. A dualidade do protagonista para com seus entes queridos, o dilema Freudiano que se apresenta para Manuela, até seu final Hollywoodiano (rsrsrs) fizeram a leitura agradabilíssima terminar em menos de uma semana!!!
    Mal posso esperar pela próssima obra...
    um grande abraço e sucesso,
    JJ

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  2. Mais uma boa entrevista com gente que desconhecia até então.

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  3. Mais uma entrevista incrível! Acompanho o trabalho dessa grande cantora e fico muito feliz de ver que teve a oportunidade de entrevistá-la! Adicionei seu blog na "lista de indicações" que possuo no meu blog! Espero te ajudar na divulgação. Abração

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  4. Muito bom o texto, Pedro! Foi bom para eu conhecer um pouco o trabalho dela, que eu ainda não conhecia... Beijos

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