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sábado, 24 de setembro de 2011

JANET MURRAY - o cyberespaço em discussão

    Por Pedro Paulo Rosa e Jhan Lima
    Foto: Luana Dias 
    Tradução: Jhan Lima


      
 
    O Hélio estreia seu entrevistado internacional. Janet Murray, internacionalmente reconhecida pelo seu trabalho de análise das narrativas digitais, fala ao Blog O HÉLIO com entrevista exclusiva concedida pessoalmente no Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro. Janet é PhD em literatura inglesa pela universidade de Harvard e, atualmente, professora de cursos de graduação e pós-graduação na Escola de Literatura e Comunicação e Cultura do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos.



O HÉLIO - Bem, primeiramente, gostaria de te cumprimentar pela palestra, que foi delicioso te ouvir e que, já que você tem diferentes pontos de vistas e que gosta de compartilhar esse conhecimento. Para começar, por que decidiu fazer uma conferência no Brasil?

JANET MURRAY: Ah, bem... Eu fui convidada. (risos) E eu fiquei excitada em vir ao Brasil, eu acho que o país é um lugar dinâmico e tão maravilhoso, cheio de momentos e é realmente ótimo estar aqui. E sabe, eu ouvi de muitas pessoas, eu tive uma literata brasileira no meu laboratório ano passado e ele estava me contando sobre televisão brasileira, como ela é particularmente “inventiva” e eu até gostaria de ouvir mais sobre isso, mas...

O.H.- Talvez em outro momento.

JM: Sim, outro momento. (risos)
O.H.- O que você acha da nova geração de escritores?

JM: Qual geração de escritores?

O.H.- Bem, mais sobre os autores de Best-seller, ou mesmo, se você conhecer, alguns escritores brasileiros.

JM: Oh, bem que eu gostaria de conhecer mais sobre escritores brasileiros.

O.H.- É bem difícil conseguir um livro traduzido para a sua língua, não?

JM: Sim. Mas eu adoraria ter uma recomendação.
O.H.- Tem o Machado de Assis. Ele foi um escritor brasileiro por volta do ano de 1860 e escreveu muitos livros, pequenas histórias, crônicas dramáticas. Basicamente sobre a frustração das pessoas, ele geralmente escreve sobre isso. E tem um livro dele que é o mais famoso, “Dom Casmurro”. E o final do livro, eu não irei contar (risos), você o lê, e ainda não consegue decidir algo sobre ele.

JM: Ele era do século XIX, certo? Eu acho que essa era a idade do ouro dos escritores. Mas eu acho que, mais especificamente sobre os ingleses e franceses, era uma literatura voltada para as questões da sociedade. Todos esses escritores formaram a base para futuras séries de televisão e tramas de filmes. E nessa cultura de internet, nós estamos escrevendo uma literatura para a televisão. Aqui, nos EUA, há grandes séries, tem uma chamada “The Wire” e uma chamada de “Tramway”, pelo mesmo criador, e ambas tentam simbolizar a cidade do mesmo jeito que Charles Dickens tenta fazer no século XIX. O que Balsac tenta na França também, que englobar culturas universais...

Luana Dias - Posso tirar uma foto sua? (risos)

JM: Vá em frente.

Luana Dias - Linda.

JM: Isso seria fora do comum, mas obrigada. (risos)

O.H.- Poderia dizer sobre um livro que você gostou? Ou o mais recente que está lendo.

(procurando na bolsa... tira um kindle...)

JM: Então, eu li esse livro, “State of Wonder” de Ann Patchett. E é sobre uma cientista e a ética da ciência. Trata das diferenças entre o Primeiro Mundo e Terceiro Mundo. E eu acho que se passa em um país imaginário do Terceiro Mundo, na América do Sul, na verdade, onde as pessoas vivem em um ambiente de florestas. E estão tentando desenvolver uma droga capaz de prolongar a capacidade de uma gravidez. E algumas pessoas desaparecem, então é uma história de mistério. E há essa cientista que está disposta a encontrar a verdade, não importando o custo de vidas humanas. Traz muitas questões como se fosse algo bom prolongar em anos uma gravidez (risos). É história de aventura, com uma temática pós-industrial.

O.H.- Você gosta muito de histórias de detetives?

JM: Sim. E foi por isso que eu não gostei de Lost. Eu acredito na razão. (risos) Eu gosto de histórias racionais.

O.H.- Você já leu o livro do Stieg Larsson, “Os homens que não amavam as mulheres (The girl Who played with fire)?

JM: Eu odiei.

O.H.- Sério?

JM: Sim, eu o achei sádico. Eu não gosto do tipo. Eu saí da sala de cinema. E eu achei o livro ilegível, mas eu sei que tem pessoas que amaram, mas não funcionou pra mim. “O Código da Vinci”, eu acho que o autor não conseguia escrever nenhuma frase. Então eu o achei totalmente ilegível e muito irritante.

O.H.- Certo. Definindo em poucas palavras, o que é a literatura expandida?
JM: Eu usei essa palavra? Eu acho que usei uma mídia com um poder de junção. Poder de junção. Aqui vai uma explicação grande. (risos) É uma atividade fundamental bem antiga da humanidade. Fundamental para como o cérebro trabalha e fundamental para a construção da sociedade. Estamos engajados nisso, alguns acreditam, antes da linguagem, olhando e imitando e fazendo conexões entre os eventos. Então nós inventamos a linguagem e nós inventamos histórias épicas. Inventamos a escrita e escrevemos as histórias épicas, as comédias, livros românticos, livros religiosos, livros de entretenimento. Criamos os filmes e a televisão, e voltando alguns milênios, nós inventamos o teatro. Todo tempo, nós temos uma nova mídia representando o mundo e todo o dia a utilizamos para compartilhar histórias e para fazer histórias mais complicadas. Os filmes conseguem capturar algo que os épicos não conseguem. E o que podemos expandir? Bem, você poderia contar histórias mais internas, ou longas histórias, histórias de pessoas comuns e não de heróis. Uma história que dura mais do que duas horas, um romance sobre guerra ou paz, ou sobre indivíduos que participam das guerras napoleônicas na Rússia e na França. Então, temos agora uma mídia que captura mais estruturas.

O.H.- Temos também histórias com as quais podemos interagir, como as histórias dos vídeo games.

JM: E essa é uma poderosa temática que podemos utilizar. É também poderosa porque podemos rejogá-la, pois temos versões e por isso é importante surgir com novas invenções, mas mantendo as versões direitas. É preciso um roteiro, provido da tradição, com uma história, com personagens. É preciso ter os capítulos para continuar com os personagens e seus diálogos. É interessante como podemos colocar tudo isso junto.


English language version
 JANET MURRAY - the discussion in cyberspace

For Pedro Paulo Rosa and Jhan Lima
Photo: Luana Dias
Translation: Jhan Lima

- Well, first, I would like to congratulate you for the lecture, which was delightful to hear you and because you have different views and  likes to share that knowledge. To begin with, why did you decided to do a conference in Brazil?
Janet Murray: Oh, well ... I was invited. (Laughs) And I was excited about going to Brazil, I think the country is a wonderful and dynamic place, full of moments and it's really great to be here. And you know, I heard from many people, I had a Brazilian literature in my lab last year and he was telling me about Brazilian television, particularly as it is "inventive" and I even like to hear more about it, but ...
- Maybe some other time.
JM: Yes, another time. (Laughs)
- What do you think of the new generation of writers?
JM: What generation of writers?
- Well, more about the authors of best-selling, or even if you know some Brazilian writers.
JM: Oh, well I'd like to know more about Brazilian writers.
- It's very difficult to get a book translated into your language, isn´t?
JM: Yes, but I'd love a recommendation.
- We always have Machado de Assis. He was a Brazilian writer about the year 1860 and wrote many books, short stories, chronicles. Basically about the frustration of people, he always writes about it. And there is a book that is the most famous, "Don Casmurro." At the end of the book, I will not tell (laughs), when reading it, you still can not decide something about it.
JM: He was in the nineteenth century, right? I think that was the golden age of the writers. But I think more specifically about the English and French literature was focused on societal issues. All these writers formed the basis for future television series and movie plots. And in this culture of internet, we are writing a literature for television. Here in the U.S., there are great series, has one called "The Wire" and one called "Tramway" by the same creator, and both are trying to symbolize the city the same way that Charles Dickens tries to make in the nineteenth century. What Balsac tries in France as well, which encompass universal cultures ...
- Can I take your picture? (Laughs)
JM: Go ahead.
- Beautiful.
JM: That would be unusual, thank you. (Laughs)
- Could you tell about a book you liked? Or what is the latest reading.

(Looking in the bag ... ... takes a kindle)

JM: So, I read that book, "State of Wonder" by Ann Patchett. And it is about a scientist and the ethics of science. These differences between First World and Third World. And I think it happens in an imaginary country in the Third World, South America, in fact, where people live in a forest environment. And they are trying to develop a drug that could prolong the ability of a pregnancy. And then some people disappear, then it is a mystery. And there is this scientist who is willing to find the truth, no matter the cost in human lives. So have many issues as if is good to prolong a pregnancy in years (laughs). So it's adventure story, with a post-industrial theme.
- You really like detective stories?
JM: Yes, and that's why I did not like Lost. I believe in reason. (Laughs) I like rational stories.
- Have you read Stieg Larson's book, “The Girl Who Played with Fire”?
JM: I hated it.
- Really?
JM: Yeah, I thought it was sadistic. I do not like the type. I left the theater. And I found the book unreadable, but I know there are people who loved. It did not work for me. "The Da Vinci Code," I think the author could not write any sentence. So I found it very annoying.
- Right. Setting in a nutshell, what is the expanded literature?
JM: I used that word? I think I used a media with a power junction. Power junction. Here's a big explanation. (Laughs) It's a very old


Agradecimentos:
Patrícia Klingl

Um comentário:

  1. Como sempre, trazendo entrevistas incríveis e proporcionando uma leitura agradável e muito bem informativa! Parabéns pelo trabalho, não pare! Precisamos de blogs como este! Abração

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