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sexta-feira, 17 de junho de 2011

MAX FERCONDINI - O ATOR EM REVOLUÇÃO

Por Pedro Paulo Rosa
Foto: Ravini Padilha
Revisão Textual: Paulo Cappelli




Max Fercondini, apesar de aparentar pouca idade, tem uma vasta carreira na televisão brasileira. Contracenou ao lado de grandes nomes da nossa teledramaturgia, como Tarcísio Meira e Lília Cabral. Numa conversa descontraída em um restaurante na Barra da Tijuca, zona oeste carioca, o ator e também um profissional apaixonado pelo audiovisual, nos fala sobre seus trabalhos atuais; revela como é participar de projetos comunitários, defende a função social do ator, expõe seu pensamento – lúcido e claro – acerca da união homo afetiva regulamentada pelo Supremo Tribunal Federal. Max ainda nos compartilha sua perspectiva de mídia atual e potencializa a força de transformação que as novas mídias podem provocar na vida de uma pessoa. Passamos também por vocação e religião, temas que o ator considera em alto nível.
Atualmente, está no ar no folhetim das sete, “Morde e Assopra”, da TV Globo e se sente profundamente realizado apresentando o programa “ Globo Ecologia” (Canal Futura).

O HÉLIO: Onde você começou, Max?

Max Fercondini: Eu comecei como ator aos catorze anos de idade. Fui criado no interior de São Paulo, em Jundiaí. Mas, estudei sempre em São Paulo porque achava que era lá onde os melhores cursos existiam. Então, fiz curso de interpretação para TV e também para teatro. Até que eu fiz um curso com o Wolf Maia. E ele estava com uma novela para iniciar, mas não tinha ator. O personagem que ele criou tinha as minhas características. Acho que foi estar no lugar certo e na hora certa. Daí para frente, uma novela puxou a outra. Mudei para o Rio de Janeiro e estou no meu décimo ano de TV Globo. Com onze novelas e uma minissérie.

O.H.: Sua família é ligada à arte? Como você encontrou a vocação?

Max: A ajuda foi muito da minha mãe. Desde pequeno, eu gosto de chamar atenção. Em sala de aula, isso era prejudicial, não era admirável na escola. Minha mãe percebeu que eu precisava deixar de fazer da sala de aula o meu palco. Então, minha mãe disse que a minha plateia precisava não ser mais a turma. Ela me colocou no teatro, e isso me ajudou muito a extravasar energia. E, quando comecei o teatro, também melhorei nas ciências humanas: português, história...

O.H.: Como foi a sua vinda para o Rio, muito complicado?

Max: Então, a minha vinda foi complicada. Eu investi muito mais do que lucrei. Minha mãe, na verdade! (RISOS) Eu tinha uns 14 anos na época.

O.H.: Ouvindo você contar parece fácil. Como é que foi o caminho das pedras? Como você tocou lá na Globo, explica esse processo. Tem muita gente boa que consegue, como você. Mas tem muita gente ruim que também consegue.

Max: Eu atribuo a sorte a Deus, embora eu não seja muito místico. Eu sou cristão.

O.H.: Cristão católico ou cristão evangélico?

Max: Eu sou cristão. Se eu for pensar bem, tendo mais para o cristão evangélico do que para o católico. Leio a bíblia e costumo ouvir de todos os discursos. Até mesmo o Budismo tem muita coisa fantástica que podemos colocar na nossa vida. Eu acho que religião é isso, colocar em prática as suas crenças, as suas admirações pelos ídolos. Seja Buda, Gandhi ou Jesus.

O.H.: Os famosos líderes carismáticos...

Max: (RISOS) Pois é, mas a gente beira à idolatria ao falarmos de líder carismático. E isso é perigoso. Então, acho que não podemos ter fanatismo. Então, voltando à sua pergunta lá de trás, eu aproveitei as oportunidades que me apareceram. Mas, antes, eu fiz muitos cursos!




O.H.: Como achou o curso do Wolf Maia?

Max: Quando eu fiz o curso dele, era num fundo de quintal de agência de modelos. Agora, ele montou uma mega estrutura que é muito legal! Eu até indico para as pessoas que querem fazer TV.

O.H.: É acessível?

Max: Na época, eu paguei algo em torno de R$ 800 por um mês de curso. Acho que foi um investimento muito enriquecedor para minha carreira. Sabe, Pedro, tudo o que eu fazia, todo mundo me incentivava muito. Por exemplo, primeiro teste que eu fiz para comercial em São Paulo, eu era muito criança. Mas, eu passei! Hoje em dia eu me sinto muito consciente do que acontece. Se é iluminação, se é câmera, se é a direção, eu vou percebendo. No Globo Ecologia, inclusive, a gente usou a minha câmera, que é uma 7D.

O.H.: Você já fez teatro, pensa em fazer?

Max: Então, eu sou do audiovisual. Já fiz teatro, mas eu me realizo fazendo televisão.



O.H.: Por quê?

Max: Acho que... Vamos colocar dois lados. Primeiro, na TV, você controla muito mais tudo.

O.H.: Controla mais o outro ou o seu trabalho?

Max: Controla mais o resultado final. Eu acho que a experiência me traz essa tranquilidade. Talvez eu esteja sendo não legal com o teatro porque eu fiz pouco. Eu fiz uma peça com o Gustavo Reis, que hoje é autor da Record. A gente viajou pelo Brasil todo. Eu me dava muito bem no palco, senti que aquilo era muito prazeroso. Mas, eu sou da televisão. Hoje, a minha maior realização profissional é apresentar o Globo Ecologia ( no Canal Futura ). Eu participo de todo processo, às vezes passo na produtora, participo de quase todas as reuniões de pauta. Interajo com os diretores, com toda a equipe. Isso é muito bom. Agora, o lado chato da TV é virar uma figura carimbada. Sempre acaba sendo a mesma coisa. Temos que tomar cuidado para não ficarmos presos aos estereótipos. Hoje em dia, acho que as novelas estão no vício do maniqueísmo. Poxa, um cara veio me entrevistar, Pedro, e me perguntou o que eu esperava do meu personagem. E eu? Não soube responder. Alguns discursos de novela estão muito inverossímeis. E principalmente maniqueístas. O artístico está muito subtraído e jogado, sem um direcionamento.

O.H.: Quer dizer que está muito industrial?

Max: Pode ser. Concordo. Volto a dizer que a minha maior realização tem sido o Globo Ecologia. Porque ali houve ressonância e repercussão. Naquele trabalho, eu troco com todos. Há liberdade no texto, na apresentação. Não há ditames do tipo: “não pode mudar o texto de jeito nenhum!”. E eu acho, Pedro, que obras de TV, são obras coletivas. Talvez, todas as obras. Eu acho que no momento as novelas estão muito rendidas ao ibope. Um exemplo interessante que tive foi no trabalho do filme “Uma professora muito maluquinha”, que ainda nem estreou. Ali, eu pude criar um personagem totalmente diferente, que foi um professor de geografia mineiro da década de 1940. Então, o trabalho de composição do sotaque e as nuances que você vai colocar, tudo isso foi muito bom para mim.

O.H.: Você se foca muito no cachê? Já recebeu convites de filmes comunitários de jovens estudantes? Você aceitaria fazer sem cobrar nada?

Max: Aceito e já fiz. Um dos filmes que eu fiz se chama “Anfitriões”, dos alunos da Estácio de Sá. Eles estavam precisando de um ator. E me chamaram. Aceitei. Eu não só atuei no filme como emprestei meu carro para buscar o cenário. Foi um curta até premiado. Eu acho que a gente está vivendo a revolução do audiovisual, ainda mais porque estamos tendo acesso às câmeras 7D, que hoje você compra por 1.600 dólares e você transforma uma página de roteiro em uma qualidade máxima audiovisual. E se você trocar as lentes, pode fazer uma fotografia genial!

O.H.: Para você, como essa revolução altera o mundo social?

Max: Eu acho que as pessoas estão tendo mais acessos de colocarem suas ideias. De exibirem e visualizarem suas ideias. E isso é demais.

O.H.: Você faria o “Tropa de Elite”?

Max: Faria sim, mas gostei mais do “Tropa 2”. Porque no dois tem um roteiro mais pensado, e o final te levanta para um “Tropa 3”. Eu achei fantástico. Mas, o primeiro “Tropa de Elite” 1 achei mais documental, menos preciso.

O.H.: Sobre o processo de formação e criação do personagem, qual o método ou caminho teórico ou prático que você usa no seu trabalho?

Max: Eu, como disse, fiz muitos cursos. Mas uso muito o sistema da reação. Por exemplo, ao invés de chegar com muita coisa preparada, prefiro observar tudo o que está sendo proposto para eu reagir em cima daquilo. Às vezes, isso é ruim. Numa novela, por exemplo, não dá para fazer. Porque tem diretores exaustos e pessoas menos experientes que você. Então, se você não preparou nada, você se ferra. Entende? Um bom teste de elenco seria colocar vários atores numa sala e colocar um objeto no centro dessa sala. O ator que ficar paradão, não é um bom ator. Aquele que começar a mexer e questionar o objeto é o que vai te render mais em cena. Por isso que eu acho muito mais legal, quando eu estou me preparando para gravar, a aproveitar o que eu tenho. Tento pensar na textura das coisas, nos cheiros. Uso muito a memória sensorial. Você constrói uma bagagem visual para o seu personagem, sempre sozinho e com objetos irreais. Não materiais. Isso também é muito legal. Agora, fazer isso para novela, é muito impraticável. As pessoas se acostumam com o estereótipo.



O.H.: Como você enxerga a glamorização da arte? Você acha que dá para sobreviver, o ator, financeiramente, sem fazer televisão?

Max: Pedro, eu acho que... (suspiros) É uma coisa que independe da gente. A única coisa que eu posso fazer é ir contra isso. A pergunta é: eu quero ir contra isso? É interessante? Se eu vou passar na rua alguém gritar “lindo!!!” ou “bom ator!”... é claro que é gostoso ser curtido. Seja pela beleza ou porque é um bom profissional. Eu sentiria falta não do grito “lindo!”, mas pelo reconhecimento do meu trabalho. Eu me movo muito por conta do reconhecimento do meu trabalho, embora não alimente expectativas. Porque isso é muito ruim. A maioria dos atores hoje em dia estão reféns da expectativa. Às vezes, eu vejo atrizes posando para playboy achando que vão se tornar mais mulher. Nem que eu posasse pelado (eu nunca posaria) criaria expectativas. Tudo o que eu faço, tem um motivo. Se eu estou fazendo “Morde e Assopra” (novela das sete da TV GLOBO) é porque há um motivo.

Max revela momentos inesquecíveis pelos quais teve de passar para construir personagens, buscar elementos e crescer enquanto ator.

--- Na novela “Páginas da Vida”, em que eu fazia o irmão da Nanda (Fernanda Vasconcelos) foi onde eu mais trabalhei com essa coisa da reação, do olhar. Da atuação no silêncio do olhar. Eu aprendi duas coisas muito importantes: a primeira, estar pronto. O mercado nos EUA, por exemplo, não espera você estar pronto. Se você não for o primeiro a levantar a mão, perde pontos. Lá eles valorizam quem tem a coragem para ganhar. Aprendi isso num curso que fiz em Los Angeles. E eu pude usar isso na novela. Mesmo que não tivesse muito texto, eu estava nas melhores cenas. E isso são oportunidades. Eu me questionava muito em cena. Era sempre reagindo conscientemente no psicológico. E eu sempre tive bons pais nas novelas. Tarcísio Meira já foi meu pai! Tive a oportunidade de fazer uma cena em que Tarcísio me dava um tapa na cara. Na minissérie “Um só Coração”. O Paulo José já foi um tio quase pai para mim. Otávio Augusto também já foi meu pai. Enfim, grandes ensinamentos de mestres. Em “Páginas da Vida”, fui filho de Lília Cabral e Marcos Caruso. Eu já identificava claramente o trabalho do Manoel Carlos. Nessa última novela, “Viver a vida”, todos nós mergulhamos à beça! Os personagens são profundos. Agora, cada autor tem uma fórmula. É ou não é? Um perfil, digamos. O perigo é não se renovar. No caso do Manoel, os conflitos que ele coloca são muito profundos.

O.H.: A novela das seis, “Cordel Encantado”, é uma novidade. Você não acha?

Max: – Assisti muito pouco. Mas, a fotografia é demais. A batida dos 24 quadros também é lindo, incrível.

O.H.: Qual foi o trabalho que você gostou mais de fazer até agora?

Max: – “Ciranda de Pedra”. Foi um trabalho bastante sensível e que valorizou muito o trabalho do ator. E ter o Alcydes Nogueira como autor foi muito bom! Mesmo sendo uma novela densa para o horário, deu muito certo. Teve um momento tão de entusiasmo que eu liguei para o Alcydes para elogiar o trabalho dele. Trabalhar com ele foi uma excelente oportunidade.

O.H.: Você tem meta para ser galã?

Max: Tenho meta para protagonizar. Os meus personagens já são protagonistas para mim (RISOS). Mas, quero que eles sejam protagonistas de uma trama.

O.H.: Você quer ser mocinho?

Max: Não. Posso ser vilão... (RISOS). O anti-herói ou então um papel bem diferente de mim. O mercado das micro e macro séries está cada vez maior também. O público tem, cada vez mais, maior aceitação pela troca e pela pressa. A Globo tem percebido isso e investido bastante em microsséries. O público está mais exigente, mesmo o público de novela. A dona de casa, por exemplo, sabe se o diretor erra o eixo da câmera ou se o iluminador falha! Essa geração do celular que filma tem muito mais acesso para ser visibilizado e gerar mídia espontânea. Poxa, hoje em dia, você cria um canal no Youtube e pode ser muito reconhecido, ficar rico ainda por cima. (RISOS).

O.H.: Você acha que o ator tem função social?

Max: Sim, com certeza. Eu estive em Manaus no projeto Ação Global, que é um projeto que promove a cidadania. É um projeto de parceria do SESI com a Rede Globo. A Globo divulga e o SESI organiza os atendimentos à população carente. Os serviços são vários: atendimento médico, higienização, orientação sexual, várias coisas. É a segunda vez que eu escolhi ir para Manaus. É bom frisar que eu quem escolhi Manaus. Se eu não acreditasse na minha função social, eu escolheria aqui do lado, no Rio ou em São Paulo. Eu escolho Manaus porque eu acho que é onde tem maior carência social e onde mais precisa de cidadania. São povos que não tem acesso físico de uma estrada para tirar uma certidão de nascimento. O que mais me marca quando eu viajo para o Norte e Nordeste é a euforia que causa a chegada de um ator da Rede Globo. Tanto nas regiões nobres quanto nas periferias do Norte e Nordeste. Não sei se isso é bom ou ruim. Na verdade, com certeza é o dois. Ano passado, fui para o Maranhão, local onde o índice de desenvolvimento humano é muito baixo. Me impressionou muito ver mães com os filhos no colo querendo tocar em mim e quase deixando o bebê cair no chão, sabe? Querem te agarrar e te tocar por carinho. Elas jogam o filho nos meus braços. Isso impressiona muito. Agora, o lado bacana foi no momento em que eu subi no palco e, me deparando com várias mães jovens, senti que devia alertá-las sobre a prevenção à gravidez precoce. Falei da importância da camisinha. Passaram cinco segundos depois de falar isso e umas moças gritaram: “a gente que usar camisinha com você!”. Então, eu não só acredito que o ator tenha uma função social como eu a pratico. Faço questão de mudar, de levar coisas boas para as pessoas.




O.H.: Qual texto de novela que você falou que te marcou e que você tenha pensado: “Que texto bom!”

Max: Ah, eu adoro o texto do Manoel Carlos. E gosto muito da liberdade que ele nos dá para falar o texto. Eu vivi uma coisa que foi demais com o Manoel Carlos. Veio para mim a cena do parto da personagem da Sandrinha (Aparecida Petrowski). Eu fazia um personagem que era ginecologista e obstetra. A mesma profissão da minha mãe! Para compor o meu personagem, fui à hospitais, acompanhei alguns partos em hospitais públicos do Rio. Eu presenciei aqueles partos de uma maneira muito presente, muito visceral. Lúcido mesmo. Daí, eu ia fazer o parto da Sandrinha. Antes dessa cena, a gente assistiu junto um parto. Nós massageamos a barriga da paciente para potencializar as contrações. Aí, cara, a gente pegou frases originais dos médicos. A gente perguntou aos médicos o que eles não gostavam em personagens médicos em novela. Eles responderam que não gostavam quando assistiam um médico muito bonzinho. Aí, veio a cena do parto e essa cena não acontecia em mim. Eu resolvi, então, escrever para o Manoel Carlos e pedi ajuda à minha mãe para que a minha nova cena ficasse bem verossímil e de bom senso. Minha mãe, que sempre me apoiou, concordou comigo em mandar para o Maneco. E mandei para ele! No email, escrevi que deixei de lado o meu receio e que, como o meu propósito era ajudar, eu encaminhava essas sugestões para a análise dele. Pedro, eu fiquei naquele dia com o coração batendo. Poxa, ele é um dos autores mais consagrados do Brasil. Você que é autor, sabe como isso pode ser complicado. Eu fiquei muito tenso. Até que o Maneco me respondeu. Escreveu assim: “ Querido Max, pode usar a cena”. Cara, eu fiquei numa alegria! E, ao mesmo tempo, com medo! Como aquilo ia bater no diretor que iria me dirigir naquela cena?! Porque eu acabei pulando uma etapa.

O.H.: Você cria algum mal estar com essa postura ousada?

Max: Já criei. Pelo fato de ser um cara curioso. Me considero um ator que pensa. Eu estou ali, mas estou vendo tudo o que está acontecendo. Teve uma vez, por exemplo, que corrigi um diretor que cometeu erro de eixo. Ficou chato. Enfim...mas não é todo mundo que aceita e não é todo mundo que quer.

O.H.: Suas ações de trabalho são quais no momento, Max?

Max: Bem, estou apresentando o Globo Ecologia lá pelo Canal Futura e estou no ar com “Morde e Assopra”, novela das sete da TV Globo.

O ator múltiplo revela não ser apaixonado apenas pelo audiovisual. A aviação também é uma paixão que ele alimenta.

--- Adoro voar. Tenho licença para pilotar avião particular. Uma vez, voltando de Paraty com minha namorada, pegamos uma tempestade muito complicada. Eu tive que contornar. Eu fiquei mais tenso que a Amanda (Richter), até porque eu tinha a responsabilidade de deixar a gente voltar para o solo. Eu contornei a tempestade abaixo das minhas condições de visão. Foi muito complexo aquilo! Ter passado por isso me arrebatou porque perdi o controle.



O.H.: Qual dica você tem para dar para quem quer se profissionalizar como ator. Eu te pergunto novamente, dá para viver sem TV?

Max: Não sei se dá para viver sem TV. Se você ama muito sua vocação, acho que você vai dar certo. Existem outras carreiras que fazem uma pessoa lucrar mais. Mexer com petróleo, por exemplo. Acho que dá para viver sim com a arte. E principalmente com as novas mídias e com essa revolução tecnológica no audiovisual. Vou te dar um exemplo: o Felipe Neto. O cara não está no horário nobre, mas no Youtube ele teve um acesso imenso! Ele transcendeu as dificuldades. Daí eu acho que as tecnologias tornam as coisas possíveis.

O.H.: Como você analisa a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a união homo-afetiva?

Max: Se eles, o casal gay, está ali por amor e dão fé disso, e se eles querem dar amor a uma terceira pessoa, acho que isso é incontestável. O amor está acima do sentimento sexual. Precisamos pensar além do primitivo e perceber a beleza que é um relacionamento com amor verdadeiro.

Dono de um raro discurso imbricado com a prática e estruturado na coesão, Max Fercondini assume ter escolhido a televisão como carreira, como profissão; é o canal pelo qual Max comunica sua vocação. Mostra para nós o seu lado maduro. Consciente e lúcido das questões que rondam a vida e o fazer artístico. Da geração 1990, ele se fundamentou e nasceu na raiz televisiva, e hoje busca um sentido novo para a TV e uma reflexão permanente da sua origem frente às revoluções das novas mídias. Por isso também que – no movimento do pensar – se renova como ator e pensador do seu ofício.

5 comentários:

  1. Esse foi o primeiro post que li em seu blog e gostei bastante! Ótima entrevista!
    Definitivamente o Max Fercondini subiu no meu conceito.

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  2. Ótima entrevista Pedro! Como sempre trazendo assuntos artísticos detalhados através de entrevistas com personalidades da área. É sempre um prazer ler suas matérias. Um abraço e até a próxima!

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  3. Ele realmente cresceu muito como ator e pessoa!
    pessoa atenciosa, humilde, caticante , inteligente e interessado !

    sempre gostei do max e tb depois dessa entrevista ele subiu mtoooooooo mais no meu conceito =)
    beijos!

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  4. Eu já estive magoado com ele, mas depois perdoei. Ótima entrevista. Gostei bastante. Retornarei sempre que eu puder para ler este blog.

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