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quinta-feira, 9 de junho de 2011

OS ERROS POR AMOR JÁ NASCEM COM PERDÃO

Por Pedro Paulo Rosa
Foto: Ravini Padilha
Revisão Textual: Paulo Cappelli


A cantora e compositora Patricia Mellodi é uma incansável buscadora de si mesma através das suas músicas. E não são poucas. Com “Do Outro lado da Lua”, quarto álbum lançado, a artista exibe uma consciência e lucidez raras no meio artístico viciado na glamorização excessiva.
Além de compor todas as suas canções, cria as melodias pelo violão. Tudo começou – o seu encontro com a música – por conta de uma mera “coincidência”, quando seus pais acharam por bem matriculá-la num curso de férias de violão aos seus 12 anos. Depois dali, Patricia nunca mais parou. Nascida no Piauí, veio para o Rio de Janeiro após a morte do pai. Trouxe a primeira filha junto com ela e – com a grana do seguro de vida – fez cursos de teatro, de música e se segurou por uns tempos na cidade maravilhosa.
Numa conversa super descontraída num café em Botafogo, Patricia Mellodi conversa com a gente.

--- Até pensei em São Paulo antes de decidir pelo Rio. Mas, conhecia algumas pessoas aqui e, de certa maneira, eu me simpatizava mais com a ideia de vir para o Rio.

O dinheiro terminou, e Patricia constatou que tinha de ir para a rua fazer show. Começou nas feijoadas do Meridien. Até que um dos donos do bar disse que a Helô Pinheiro (conhecida como A Garota de Ipanema) iria abrir um bar no estilo jazz/bossa nova e que isso renderia à Patricia bastante trabalho. E rendeu. Esse bar movimentou bastante a noite e nossa entrevistada pode inaugurar sua vida social no Rio de Janeiro e conseguiu trabalhar regularmente por três anos e meio no espaço de Helô Pinheiro.
As influências musicais de Patrícia? Foram e são várias. Passando por jazz, Rock anos 80 até Titãs, Paralamas e Reginaldo Rossi. Tentar localizá-la ou fechar seu trabalho em estilos é praticamente impossível, uma vez que ela bebeu de variadas fontes. Um dos seus primeiros incentivadores a ouvir de tudo foi um ex-namorado fascinado por música.
O processo de composição de Patrícia tem uma forte carga do cotidiano, de fatos que observa; as conversas com amigas, os papos de rua que escuta. Porém, a força do seu olhar pessoal prevalece nas composições. Ela admite estar presente em todas.

--- A minha composição varia muito. Podem vir músicas no banho, no carro. Geralmente, a música chega quando não estou pensando nela. Pego meu violão aleatoriamente, e os arranjos vão chegando e eu os deixo entrarem.

O HÉLIO: A pirataria te atrapalha?

Patrícia Mellodi: A pirataria não me atrapalha hoje em dia. Nesse momento da carreira, fico feliz de saber que minha música está indo para muitas pessoas. Se elas querem me ouvir, é porque o meu trabalho está sendo considerado acima de qualquer coisa. O que me irrita é o fato de não receber os direitos autorais dos iTunes. Pedro, eu não faço canção para mercado, com rimas perfeitas para virar mania. Nada disso, minha composição é totalmente ligada à verdade que está em mim. Sou densa, mergulho mesmo.

O. H.: Há algum nome contemporâneo que possa citar como sua referência?

Patricia: É difícil pontuar porque, a meu ver, o que se produz atualmente é muito cool. Leve. E não sou isso.

O.H.: Qual dica daria aos jovens que querem se profissionalizar em música? Afinal, percebemos um grande número de universitários lotando salas para estudar música.

Patricia: As salas de universidades em música podem estar cheias, mas isso não quer dizer que todos os que estão ali dentro sejam artistas. O artista tem o talento que Deus deu. Agora, executar música, voz e escrita, qualquer um pode fazer porque essa capacidade nos é comum. A principal dica é estudar, continuar na persistência e trabalhando com coisas que tenham afinidade com a música. Dar aula, por exemplo.

Ainda assim, ela admite que não é fácil viver de música e que, inclusive, já vendeu “Avon” para ajudar no sustento. Determinação, profundidade e lucidez transbordam de seu olhar e longos sorrisos.

O.H.: Como analisa Fenômenos como Luan Santana e Restart, por exemplo?

Patricia: Luan Santana e Maria Gadú, por exemplo, não se discute. Eles têm certamente muito talento. Assim como qualquer outro fenômeno.

O.H.: Existe alguma diferença forte na receptividade do público estrangeiro que escuta a MPB?

Patricia: A grande diferença é que, no exterior, as pessoas querem escutar o seu som, estão ali para te ver, conhecer o seu trabalho e pronto. Aqui no Brasil, é diferente. Você precisa estar na foto da Revista tal e tal para ser notado.

Sobre o sucesso nas rádios, a canção“Últimas palavras”, ela se surpreende com a demanda dos ouvintes e confessa ser parada nas ruas pelas pessoas, que só elogiam. Após um instante, movimenta os lábios com calma e receio. Suspira e diz que tudo o que está naquela letra foi vivenciado por ela. Oriundo de um amor que, em suas palavras, se tornou doentio.
Na última faixa do “Do outro lado da Lua”, Patrícia recebe a participação especial de seu grande amigo Zeca Baleiro. Não só por serem vizinhos próximos (Zeca é do Maranhão), mas também por causa de um show de Baleiro que Patrícia vislumbrou – numa espécie de transe – o seu nome artístico: Mellodi. Com bela sonoridade, a assinatura nos faz pensar em melodia.

O.H.: O que aconteceu de mais engraçado nos seus shows?

Patricia: Ah, (RISOS) aconteceram muitas coisas engraçadas. Há muitos loucos no meu show, mas são loucos que eu adoro! Teve uma vez, no Piauí, que uma travesti começou a dançar no meio da plateia enquanto a equipe de som ajustava algum problema técnico. Foi muito engraçado! A travesti dançava e me chamava de maravilhosa!


O.H.: Você já é mãe. Muda muito o processo de compor?

Patricia: Sou mãe de duas filhas e tenho duas enteadas. Tudo muda depois da maternidade! Estou enxergando o ser mulher de um modo totalmente diferente. Mais amplo e profundo. Aprendi a admirar e compreender ainda mais as mulheres. Vejo que eu e minha filha de três anos temos muitas coisas iguais apesar da distância de idade, assim como eu e minhas enteadas.

O.H.: E em que lugar comum é esse que você enxerga e compreende a mulher?

Patricia: Somos todas um pouco passionais, ciumentas e ao mesmo tempo carregamos no peito o sentimento maternal e zeloso. Até por entender melhor a mulher, hoje em dia respeito mais os homens.

O.H.: Atualiza a sua agenda para a gente.

Patricia: 20 de Junho irei me apresentar no teatro Rival com o Palco MPB (promovido pela rádio 90,3 MPB FM); dia 24 de Junho participo do Programa “Estúdio i” da Globo News e dia 28 deste mês faço show no Centro Cultural Carioca na Lapa.

Em seu novo trabalho, o CD “Do outro lado da Lua”, Patrícia Mellodi demonstra não ter medo do escuro, da leveza, do resgate e das relembranças. Não tem medo de se iluminar pela escuridão. A menina atravessa o outro lado da Lua e aflora a mulher. Afirma, sobretudo, que mostra o seu lado amadurecido. É a mulher que volta ao passado para compreender o futuro e o presente.



LINKS RELACIONADOS:

http://www.patriciamellodi.com/

http://www.youtube.com/watch?v=qSfwOTma72k

Um comentário:

  1. Não bastasse cantar muuuuuito, é uma pessoa encantadora. Dia 20 estarei lá no Rival, feliz da vida!

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