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terça-feira, 31 de julho de 2012

BANDA SURICATO: DISTRIBUINDO AMOR POR AÍ





Por Pedro Paulo Rosa
Foto: Divulgação

A banda Suricato, composta por Rodrigo Nogueira (voz/guitarra), Mário Vargas (baixo) e Diogo Carneiro (bateria) tem pensamento maduro sobre a arte musical que produz. O vocalista destaca que um dos diferenciais da banda é "saberem fazer ao vivo". O show é igual ao que se escuta no CD, o que segundo eles está raro hoje em dia. Rodrigo Nogueira separa seu tempo para uma boa conversa com O Hélio. Os três amigos se apresentam no sábado, dia quatro de agosto. Mas, o papo fluiu pelo início da carreira deles, o encontro com o Nando Reis, que adorou o som da Suricato - que tem nome enigmático e som que mescla rock e pop. Jr. Tostoi é quem assina a produção do disco do trio, Pra Sempre Primavera.

O Hélio: Como foi a escolha do produtor Jr.Tostoi?

RODRIGO NOGUEIRA: O Tostoi é uma referência muito forte para mim como guitarrista, um divisor de águas no meu jeito de tocar/pensar música. Hoje ele é um amigo. Passei a acompanhar tudo que ele produzia e quando começamos a ensaiar o repertório do disco sugeri o nome dele para o Diogo , que topou na hora. O Suricato tem um som muito direto e fiquei com medo dele não topar fazer, de achar careta demais . Já sabia que ele era um produtor extremamente criativo e de soluções sonoras inusitadas então queria que ele trouxesse isso para o nosso som. Mas ele me surpreendeu e fez justamente o oposto: Utilizou nossos próprios recursos sem barulhinhos ou sons mirabolantes. Nos deu algumas boas idéias e conseguiu captar a energia e “simplicidade” do trio. Esse discernimento de mudar só o que precisa ser mudado só os grandes produtores tem. Ele tira um som incrível das coisas no estúdio e não se prende à regras. Gravei no máximo duas guitarras por música e às vezes um violão quando pedia. Só. Isso tem feito toda diferença ao vivo, pois temos margem para improvisar ou tocar as músicas de outro jeito sem parafernálias ou músicos adicionais. Precisamos apenas dos nossos instrumentos e um bom técnico.


O Hélio: Qual a importância do reencontro para vocês três?

RODRIGO: Toda. Acho que nos reencontramos como amigos e profissionais. A cabeça anda boa. Tudo tem um momento certo para acontecer. Antes do disco , já vivemos bastante coisa acompanhando outros artistas pelo Brasil e pelo mundo. Graças à isso nos sentimos, de um certo modo , seguros para encarar plateias/palcos grandes. É incrível como essa estrada nos ajuda e nos dá segurança, mesmo sendo uma banda nova. É engraçado: Se por um lado esse “mundo veloz” faz surgir 200 escritores e compositores geniais por dia nas redes sociais , nada , em tempo algum, substituirá a necessidade de experiência, do banho-maria, da degustação. O micro-ondas não revolucionou a culinária e não se aprende a tirar um bom som de instrumento musical em 1 mês. Leva tempo. Acho que cada vez mais escutaremos discos maravilhosos e veremos shows de qualidade bem duvidosa. Palco é um exercício, não tem jeito.


O Hélio: Vocês entendem o som que fazem de que maneira?

RODRIGO: Não é uma coisa muito pensada. Normalmente os artistas já tem todo o conceito na cabeça antes de gravar seus trabalhos, não acho isso ruim, mas não foi o caso desse. É o primeiro disco.Um registro do primeiro encontro, nossa primeira dezena de canções. Sei que estamos muito longe de reinventar a roda, mas não sei classificar nosso tipo de som. A simplicidade talvez seja um ponto forte. Somos ao vivo os mesmos artistas do disco e isso é ironicamente incomum hoje em dia. Temos orgulho da veracidade desse “retrato”, de sabermos tocar nossos instrumentos e de como as pessoas tem nos recebido nos shows. Mas a grande questão é mais sobre expressar-se artisticamente que qualquer outra coisa. É simples. A gente tá a fim de levar som, falar de pedalzinho e distribuir amor por aí. O resto não importa muito.





O Hélio: Como foi a construção estético-conceitual do trabalho da Suricato, Pra Sempre Primavera ?
RODRIGO: Por curiosidade, “Pra sempre primavera” é o nome de uma canção que não entrou no disco. Esse nosso momento de reencontro é muito bonito e a primavera é a estação do ano em que a natureza parece ter encontrado um equilíbrio nas coisas, nas cores, na temperatura. Ela parece saber o que está fazendo. Se mostra com mais certeza e esse sentimento é algo sazonal na vida de qualquer um . Certeza nada tem a ver com “estar com a razão” mas sim com colocar a cara à tapa, se permitir. Nenhuma “Primavera” dura para sempre. Ela precisa das outras estações pra se fazer notar. É mais uma questão se sabermos identificar quando ela estiver diante dos olhos e tomar a corajosa atitude de mostrar-se, no nosso caso , artisticamente.

O Hélio: Como foi a escolha do nome Suricato?
RODRIGO: Há muito tempo atrás assisti um programa chamado “ No Reino dos Suricatos” no Animal Planet. É uma espécie de BBB de Suricatos em que uma família deles é documentada por anos no deserto de Kalahari na Àfrica do Sul. Não conhecia os bichos e os achei muito engraçados. Me chamou atenção serem tão pró-ativos , se dividirem em todas as tarefas além da árdua função de estar de sentinela o tempo todo num ambiente tão inóspito. No programa foi dado a cada indivíduo um nome e vc acompanha aquilo como uma novela. Passaram-se anos, esqueci o nome dos bichos e só voltei a lembrar na constrangedora ocasião de achar um nome para a banda. Liguei para o Diogo , sugeri e ele me disse : Sindicato?? É um bicho lado B.

O Hélio: Qual o processo criativo da banda?

RODRIGO: Costumo compor ao violão de aço. Dificilmente surge uma música da guitarra. Começo a desenvolver melodias e letras e vamos para o estúdio tocar e tocar. Por mais que viesse com alguma idéia bem resolvida de casa, ao colidir isso com o Diogo e o Lancaster ( baixista na época) , a coisa acabava tomando uma dimensão inesperada e bem diferente da ideia original. Fora isso,vejo uma banda como um casamento, uma sociedade. Não importa quem está lavando a louça ou passando aspirador de pó na casa, tudo é para um bem comum. Não falamos sobre o que é de cada um, quem fez o quê, pois a banda não existiria sem a magia do encontro de todos. Acho que “Não adianta brigar pelo pedaço do bolo de fubá do milho que ainda nem foi plantado”. Mas sei que cada banda tem um método. Pra gente funciona muito desse jeito. Volto a dizer que é exatamente como casamento , não é uma prestação de serviços. Todos tem muita liberdade de trazer ideias , tudo é levado em consideração.

O Hélio: Quem costuma compôr mais?

RODRIGO: Por ser a voz e a parte harmônica da banda (até então) é natural que traga as coisas mais adiantadas de casa. Acredito que no próximo disco o Diogo virá com mais surpresas. Tem uma voz muito bonita e em breve estará cantando também no Suricato. Já temos material para mais 2 discos e meio. Quem sabe com algumas parcerias.




O Hélio: O público de vocês é mais jovem, família?

RODRIGO: Não temos a menor ideia. É impossível saber a idade das pessoas hoje em dia (risos)

O Hélio: Nando Reis elogia muito o trabalho da Suricato. Como a parceria com Nando Reis foi costurada?

RODRIGO: Nosso baterista, Diogo, faz parte dos infernais e toca com ele há 9 anos. O Nando tinha show marcado em Niterói , com abertura do Moska , artista com quem já havia feito vários shows e por coincidência é do nosso mesmo escritório .Esse quase “eclipse” virou a ocasião perfeita. Ambos consultamos a possibilidade dos bichos abrirem a noite e todos deram ok. Ginásio lotado , começa o show , olho para trás e vejo o Nando assistindo o show do palco e gostando .Por conta disso , passou a deixar as portas abertas para eventuais aberturas. Ele é um cara absurdamente generoso. Não é desse planeta. Graças à ele fizemos shows por palcos incríveis, tocamos para públicos enormes sem ao menos ter o cd pronto . Uma vez , ao ver que tocávamos “Drive my car” dos Beatles , ele se ofereceu para cantá-la conosco para nossa total surpresa. Disse que cantava essa música nos primórdios dos Titãs, entrou no palco sem lembrar a letra direito e nos divertimos muito. Fez isso inúmeras vezes. Não imagino nenhum artista entrando no show da banda de abertura para cantar algo. Pessoalmente sou muito influenciado pelo trabalho dele, fã mesmo. É um cara nobre , muito verdadeiro e que estará tatuado para sempre em nossas vidas. Um amigo. Também não posso deixar de citar toda sua equipe que sempre foi muito gentil e solícita com os bichos.Viramos uma família esquisita de infernais e suricatos malucos por todo lado. Demos muita sorte. Penso que, se mais artistas e contratantes tivessem esse tipo de postura muita coisa legal apareceria por aí. Curioso é que fora do Brasil é muito comum ter um artista consagrado e uma banda emergente viajando juntas. Aqui isso é muito raro, infelizmente.

O Hélio: A música encontrou vocês quando? E quando/como se conheceram?

RODRIGO: Toco desde os 8 anos de idade. Tenho 2 irmãos mais velhos que amam música e me ensinaram os primeiros acordes. Em pouco tempo já tocava melhor que eles e , com a adolescência , começaram a surgir alguns convites para bandas. Tudo muito amador. Nessa época o Diogo conseguiu meu telefone, não sei com quem, e marcamos de levar um som. Fizemos 3 ensaios com outros amigos e depois cada um seguiu seu rumo. 15 anos se passaram e nos reencontramos por acaso , no estúdio de um amigo em comum , para montar um projeto de covers com algumas poucas composições minhas. Ele se interessou pelas músicas e disse que , se fosse uma banda autoral, também estaria dentro. Fiquei surpreso e muito estimulado por ouvir isso de um músico tão bom. Foi o primeiro grande passo que mudaria tudo . Em pouco tempo já éramos mais que amigos, agora com o relógio da vida marcando o mesmo horário. Com o Mário foi quase o oposto: Tocamos cover juntos na noite do rio durante muitos anos , numa banda de amigos muito queridos , a Fato Consumado. Costumo dizer que temos mais horas de baile que muito piloto tem de vôo. Ele é um dos meus melhores amigos e quando o Lancaster saiu da banda achei que antes de achar “o som” deveria achar “a pessoa”. Fiz o convite e ele topou na hora. É um cara muito simples e incrível.  Sempre houve muito amor dentro do Suricato e é muito fácil trabalhar quando se olha ao redor e vê cumplicidade por todo lado. Foi assim com o Lanca e continua com o Mário. São todos meus irmãos, pessoas vitais.

O Hélio: Qual o recado manda para quem ainda não conhece o trabalho e para quem já conhece?

RODRIGO: Muito obrigado por compartilharem nosso som e por todo carinho que temos recebido. Para quem ainda não nos conhece: www.suricatooficial.com.br Mas só funciona de ouvir bem alto.


O Hélio: Fala da agenda para a gente.
RODRIGO: Dia 4 de agosto , sábado , na Reserva + do arpoador, ao lado da galeria River. De graça. 18 hs.


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